Entendia o impacto que podia causar tão bem, que ocultava suas visitas com sutis nuances, sombras, disfarces, sondas, monitoramentos sensoriais, scanners, stiling, caftrons, e tudo mais que possuíam que permitisse participar dos avanços tecnológicos dos demais, sem serem notados, captados ou deixado o mais leve sopro de sua presença, por isso pouco sabia-se de sua existência, raras vezes outros seres tiveram contato, apenas seres com consciências muito elevadas que podem sentir a mais sutil presença, tiveram um leve contato, mesmo assim, sempre limitado, unilateral, objetivando sua busca por conhecimento, mas nunca proliferando ou permitindo que algo de sua vasta tecnologia vazasse para outros povos.
Em certo momento de seu conhecimento questionaram-se da opressão que os menos avançados sofriam, frente aos interesses e conflitos que as raças dominantes impunham, então decidiram criar colônias, planetóides, estações e demais elementos que fossem necessários para que as mentes dos seres em evolução não pudessem ser castradas pela opressão dos mais avançados.
Utilizaram sua própria tecnologia para criar estes mundos paralelos, estes abrigos particulares, onde só podiam conviver raças pacíficas, filtradas por elementos místicos e tecnológicos, com severas punições de exílio a quem permitisse o uso de algum avanço tecnológico de modo a mudar o equilíbrio das forças, a finalidade de permitir o desenvolvimento sob qualquer circunstância, justificava a medida tomada de interferência, pois o bem maior era a criação de novidades, tão necessárias a estes seres.
Em nenhum momento podiam prever que os oprimidos mesmo que limpos de sua consciência e limitações antes impostas, tinham em seu interior perguntas mal respondidas, dos vazios deixados pelas limpezas de memórias drásticas, ao qual livremente aceitavam como forma de tornarem-se livres de seus senhores e darem a suas famílias um novo padrão de vida, repleto de prazeres e segurança.
Este período de benevolência e desenvolvimento permaneceu por centenas de anos, inúmeras raças foram beneficiadas, centenas ou milhares de locais foram desenvolvidos, haviam até equipes de vários mundos pesquisando e interagindo com as mesmas tecnologias, variações e aplicações, não havia limite para as invenções, todas as áreas eram igualmente interessantes. Em nenhum momento alguém pensou que elementos de construção estruturais imensamente rápidas que eram demandadas poderiam ser também fontes de cobiça e poder, progredindo de magníficos elementos construtivos para insuperáveis armas de destruição.
As mentes que adquiriam consciência parcial dos fatos anteriores a sua estabilidade começaram a não relatar estes desvios e criaram meios de burlar os sistemas de análise, pois mesmo as lembranças mais horríveis pareciam fazer parte de si e não deviam ser levadas por ninguém. Alguns seres nascidos e desenvolvidos a muitas gerações no isolamento de seu povo nativo, traziam resistência a lembranças, que nunca foram deles, trazidas por herança genética ou incorporadas pelas almas perdidas no espaço, que após vagarem por muitos anos encontravam um novo ser para continuar sua jornada.
Os "Ylo" pronuncia mais próxima de sua denominação de raça, deleitavam-se com o desenvolvimento e progressos alcançados, deixaram de ser tão afastados de seus alunos e começaram a participar mais ativamente das descobertas. Ainda mantinham conselhos que analisavam rigidamente suas ações e redirecionavam rapidamente o mais leve desvio de conduta. Viram seus discípulos, desenvolverem como nos seus protetores a curiosidade além das fronteiras e pediam cada vez mais constantemente permissões para explorar novos mundos, conhecer novas fronteiras.
De um lado estava o passado de centenas de anos, mas ainda coexistindo com o presente e ameaçando a compreensão do futuro. Até quando poderiam conter sua criação e impedir sua total liberdade de pensamento, parece que somente o lado pacífico e seguro não mais agradava a todos, alguns começaram a questionar porque todos seus semelhantes de raça não podiam ter o mesmo tratamento, como podiam desviar-se da ligação das semelhanças e imaginar que outros de seu povo por não dispor de intelecto desenvolvido mereciam padecer nas mãos de opressores.
Finalmente o conselho Ylo para atender o clamor cada vez mais vibrante de alguns seres, resolveu desenvolver um planeta inteiro capaz de manter inúmeras raças, próximas de seus costumes e dentro de um habitat idêntico a sua terra natal. O planeta "Khar ", o projeto audacioso previa trazer 5 raças e tudo que podia de suas origens para um único local de coexistência, não poderiam simular todos os elementos, tais como, luas e astros solares, mais podiam adaptar o máximo possível os elementos em terra.
Encabeçavam o projeto 5 líderes de cada povo e suas equipes científicas catalogavam e alteravam cada elemento do planeta novo para ser idêntico a sua terra, nestas inúmeras visitas puderam ver o sofrimento que os seus passavam, muitos sendo usados, oprimidos, marginalizados, sem chances de vencer seus donos.
Após o início das instalações das colônias o trabalho intenso e dirigido a um foco repetitivo de criação dos ambientes e a difícil tarefa de adaptá-lo ao mundo de seus futuros donos, a progressão dos conhecimentos científicos ficou muito limitada, haviam mais cópias e repetições do que avanços e novidades. Este período afastou os Ylo em busca de novas fronteiras, pois seus alunos não dispunham mais de tempo para demoradas teorizações ou intrincadas pesquisas, todo esforço estava em recriar, reproduzir, canalizar e conduzir os meios para harmonizar uma colônia. Isto tudo não captava a atenção e nem trazia conhecimento novo, distanciando os Ylo de seus discípulos, indo então de volta ao espaço em busca de algo mais, algo inédito, único, digno de admiração.
A colonização era muito bem estruturada, quase nada faltava para a adaptação ao novo lar, mas ainda assim alguns gênios científicos achavam-se cerceados do seu direito de buscar novidades e desenvolveram tecnologias para tal.
Em sigilo pela primeira vez formavam um grupo com instalações secretas, as quais se dirigiam após sua morte forjada, em busca de desenvolvimento por si próprios, puderam fazer uma base de extrema segurança e tecnologia de onde surgiram as primeiras espaçonaves, com tecnologias que até mesmo seus protetores desconheciam, foram centenas de anos em pesquisas e dissimulações, acordos com raças subversivas, trapaças, tudo que julgassem necessário para atingir seu fim maior, desenvolvimento tecnológico para infinitas pesquisas.
Em 200 anos estavam mais que preparados para seu avanço ao espaço, dispunham de algumas dezenas de naves e já não tinham muito a fazer pelo seu povo natal, que agora estava vicejando nos mesmo moldes que estavam quando foram agrupados. Apesar de semelhantes não podiam conter sua curiosidade e nem sentiam-se úteis apenas protegendo e aguardando o lento desenvolvimento dos demais, precisavam ir mais rápido, os contantes ciclos de conhecimento e a demora destes em alcançar os padrões mais elevados de conhecimento mostravam-se inrritantes.
Lançaram-se então ao desconhecido, o espaço, deixando para trás os menos capazes e também menos curiosos. O que não podiam prever que também seus protetores tinham aumentado seu potencial tecnológico e um encontro entre exploradores fatalmente iria ocorrer. Alguns mais cansados ou acostumados com seu conforto resolveram manter-se em suas bases de pesquisa, reduzidas agora a poucos grupos com trabalhos específicos em cada cota do conhecimento.
Os exploradores começaram a notar a presença de uma fonte concorrente de seus recursos, alguns destes de baixo valor pois as raças que dispunham não sabiam para que serviam, somente os Ylo tinham tecnologia para tal. Mas comerciantes diziam que outros seres também os queriam e tornavam a disputa dos elementos algo curioso. Que povo desconhecido seria este que utilizava recursos tão próximos? porque ocultavam-se ainda mais que Ylo? Qual seria a finalidade de tal insumos? Elementos químicos complexos instalados em alguns armamentos de elevada punjança forçaram o conselho a procurar mais a fundo o que estava ocorrendo em sua vizinhança.
Os dois lados Ylo e os denominados Tacti, precisavam ter um encontro, mas apesar das inúmeras mensagens enviadas não obtinham resposta, o que intrigava ainda mais e gerava uma constante sensação de invasão, pois propósitos escusos que nem podiam ser trazidos a tona ou mesmo discutidos ameaçavam um povo que estava acostumado as sombras por sua superioridade e nunca antes haviam tido tal tratamento de outro povo. O conselho Ylo como medida de proteção resolveu pesquisar por formas de proteger sua tecnologia, e após anos de intensa pesquisa fora descoberto um elemento único, "Ghilio" este trazia em formas orgânicas um resíduo de memória incrivelmente adaptável, uma vez montado em um sistema para um determinado fim ou fins, teria uma longevidade ímpar, quase inesgotável e melhor de tudo, este elemento deteriorava quase todos os demais que fizessem uso dele, a descoberta levou ao povo Ylo a esperança de ter sua tecnologia eternizada e ao mesmo tempo sem parâmetros de adaptação para outros raças, qualquer ser que resolve-se furtar algo de seu arsenal estaria levando sua destruição junto com ele.
Não demorou para o primeiro incidente ocorrer. Seus discípulos agora chamando-se de Tacti, caíram em uma armadilha e levaram um dispositivo dos Ylo, deixando com intenção de ser furtado.
O elemento após analisado pelas mentes mais brilhantes dos Tacti pareciam tratar-se de um novo feixe de raios, com capacidade de análises muitos mais longínquas que a tecnologia Tacti, após copiarem toda a engenhosidade do equipamento resolveram testar sua aquisição. A surpresa foi imensa em perceber que agora podiam rastrear alguns elementos a milhares de quilômetros à mais que seus antigos sensores, logo perceberam que os Ylo estavam ainda há muitos milhares de anos de sua tecnologia.
A mais brilhante engenhosidade dos Tacti estava pronta, uma nave com dezenas de novas e aprimoradas tecnologias, construída com um terço de tecnologia "Rkol", raça descoberta nas viagens após um desvio espacial acidentalmente descoberto. Estes dispunham de elementos de guerra muito superiores aos Tacti, mas restritos conhecimentos construtivos, estavam devastados por guerras e conflitos com os vizinhos e buscavam uma forma de refazer seus lares, pois seu planeta havia sido destruído por intensa exploração e suas duas colônias eram povoadas de escravos sempre prontos a atacar seus senhores. Perceberam então a facilidade com que os Tacti podiam ocultar-se e construir novos locais habitáveis e de baixa manutenção, sentiram-se seguros em trocar suas tecnologias, pois o que um povo que pode esconder-se tão bem e reconstruir tão rapidamente poderia almejar mais.
Logo nos primeiros trajetos a nave híbrida encontra-se frente uma Ylo que surge do nada, os Tacti perplexos procuram esgueirar-se, mas logo estão cercados de outras duas naves Ylo, resolvem então apresentar-se e por fim ao jogo de sombras. Os Ylo percebem que seus alunos aprenderam bem a lição de buscar a tecnologia, mas como crianças, não tem limites para sua obtenção, nem princípios, nem mesmo um código de conduta a seguir, são mercadores.
O encontro põe fim as falsidades e também a ligação quase parental que havia entre as raças, a imensa admiração e anos de trabalho em conjunto rompe os laços dada um traição aviltante. Os Ylo ainda propõem a imediata devolução de toda sua tecnologia compartilhada, como forma de trazer a razão suas crianças. Os Tacti agora sentem-se donos de tudo e explorados por seus tutores e decidem pelo desligamento total com os Ylo.
Após semanas de demonstração os Rkol são deixados em seus planetas e a nave Tacti prepara-se para uma partida ao desconhecido sistema Cmik, mas antes seu comando resolve testar sua última adaptação, o sensor de elementos feito com Ghilio, parece que a ruptura com seus protetores acelerou a busca por elementos novos e suas propriedades e se este novo elemento é tão precioso para os Ylo, mostra-se fundamental obtê-lo e pesquisá-lo, a modo de aproximar-se da tecnologia de seus antigos protetores.
Ativado o sensor no teste rapidamente o mesmo dobra as distâncias de informação de sua cópia com tecnologia Tacti, não satisfeitos com os rápidos avanços resolvem utilizar o raio de sondagem mais intenso que possuem no sensor, criado com a tecnologia Rkol, que examina profundamente a presença de naves nas vizinhanças, ha distâncias mais que o dobro do sensor de elementos, logo a combinação de ambos deveria trazer o mais elevado sensor já visto, em seus testes preliminares tudo parece dar certo, então faz-se o teste final no espaço.
O raio Rkol de busca incide sobre o sensor e emite um feixe contíguo de luz, intensa trazendo para próximo elementos de distâncias nunca imaginadas, os Ylo captam o invasivo sinal e percebem que pelos elementos seu sensor fora levado pelos Tactis, indignando ainda mais seus antigos amigos. Os dias passam-se e uma estranha doença passa assolar a tripulação, os tecidos parecem começarem um processo de envelhecimento precoce e não tarda para os primeiros sucumbirem, os médicos parecem não entender de onde vem tamanha contaminação e pedem a ajuda do povo Ylo.
Temerosos de contaminação logo os Ylo descobrem que a combinação de feixes irradiou isótopos pela nave todo, deixando o ambiente agressivo exigindo uma descontaminação imediata. Os Tacti temerosos que sua tecnologia caia nas mãos dos Ylo proíbe a limpeza da nave, levando de volta ao hangar a preciosa e agora fantasma nave.
O evento mal interpretado pelos Tacti é visto como uma bomba intencionalmente entregue para barrar o conhecimento de seu povo, decretando a ruptura total entre as raças. De outro lado os Ylo exigem a devolução do que lhe foi roubado e fazem uma imensa operação de separação de toda sua tecnologia, retirando tudo que for possível de seu em posse das raças do planeta Khar, a discórdia se intensifica de tal modo que os Ylo que sempre foram furtivos e poucos, somem totalmente da vista, deixando para traz seus antigos amigos.




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